Atitudes
Um gerente de uma drogaria de Diadema, no Grande ABC paulista, já se tornou conhecido pelas atitudes arrojadas - e acertadas - que toma em sua farmácia.
Trata-se de Alexandre Furusho (31 anos), detentor de idéias prodigiosas, capazes de elevar a auto-estima de seus funcionários, aumentar o faturamento da loja e, principalmente, fidelizar um crescente número de clientes.
Entretanto, nem sempre seus projetos são aceitos de imediato. Para mudar a Cultura Organizacional do estabelecimento em que trabalha, ele teve, por exemplo, que ser rígido, ouvir críticas e provar à que veio. As ferramentas que usou ? Criatividade, Respeito e Paciência.
Veja a entrevista que o Sr. Alexandre Furusho concedeu ao Guia da Farmácia:
1) Como promover mudanças em uma realidade que inclui funcionários acomodados, desmotivados e com antigos valores?
R: Vivemos em constante mudança. Acho que essa é uma característica natural do ser humano, e que precisa ser mudada em prol do progresso.
2) Mudar a cultura organizacional implica em mudar o ambiente de trabalho - tirar as coisas do lugar e mexer na ‘zona de conforto’ de cada um. Por onde você começou?
R: quando comecei a trabalhar na empresa, em 1994, passei a mudar a localização dos produtos e fui fortemente criticado. Funcionários com mais tempo de casa foram os mais resistentes. Eu ouvia de tudo, por exemplo, que não encontravam a mercadoria e que tudo estava bagunçado. Tive que ser perseverante e dialogar muitas vezes com eles. O resultado com essa simples mudança? As vendas triplicaram.
3) Para reforçar a cultura de uma empresa, os funcionários são peça-chave. O que fazer com aqueles empregados que trabalham contra a empresa?
R: esse é um ponto importante. Fiz uma análise do pessoal e notei que muitos estavam acomodados. Passei, então, a incentivá-los a vestir a ‘camisa’ e procurei colaboradores de nível técnico melhor e, de preferência, bastante arrojados. Nem preciso dizer que mais uma vez fui bastante criticado. Me reuni com a equipe e fui taxativo quando disse: "de ruins já bastamos nós". Para melhorar a performance de uma farmácia, é preciso contratar profissionais excelentes e alegres; toda a empresa sai ganhando com o reconhecimento de um trabalho de qualidade.
4) Você faz eventos não muito comuns para uma farmácia. Qual o resultado dessas ações e como contribuem para reforçar a cultura organizacional da empresa?
R: esses eventos, chamados até de estranhos, como desfile de moda, pé de bananeira, a hora do espetáculo...foram os que mais me renderam críticas. Tanto internas quanto externas. Mas fui perseverante e insisti nas idéias. O objetivo era criar um ambiente alegre para trabalhar e para vender, mostrando aos clientes - de forma extrovertida - a qualidade nos produtos e serviços oferecidos. Aos funcionários, a idéia era passar que tudo dependia da equipe para dar certo. O resultado é que esses acontecimentos se incorporam à essa cultura organizacional a ponto dos funcionários atualmente darem muitas idéias novas.
5) Você promoveu uma verdadeira mudança no ambiente de trabalho. Incentivou os funcionários a serem criativos, a mudarem o foco, a venderem mais. Tudo para passar um novo conceito de cultura organizacional. Valeu a pena?
R: citei os exemplos de sucesso da empresa, mas tenho consciência de que também erramos. Fizemos muitas ações sem resultado e tivemos que rever as estratégias. Errar faz parte de quem deseja inovar e estou convencido que isso também está previsto no momento em que se propõe mudanças na cultura de uma empresa. Todo trabalho valeu a pena, principalmente quando temos consciência do quanto ele é importante para nós e para os outros que dependem dele. Para quem deseja uma leitura interessante acerca deste assunto, recomendo "Os segredos da cultura empresarial", livro de Richard S. Gallagher (Editora Campus).
Fonte: Guia da Farmácia

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